quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Desgosto


Cada um tem um gosto, sejam bons ou ruins... Desde cedo ouço isso e sempre procurei respeitar, apesar de não ter o menor pudor em criticar quando acho muito ruim. Gosto é gosto, ninguém é dono da verdade, embora às vezes dê vontade de ser. Há pessoas que tem um impecável mau gosto, já dizia Otis Ferguson. Um amigo criticava a noiva porque ela queria ir ao pagode e ele não. Um dia terminaram o namoro e em poucos dias ele foi a um pagode com uma paquera. Vai entender. Não tenho o menor problema em fazer concessões. Já fui com minha esposa em show do Fábio Jr e do Thiaguinho e não morri. Nem mudei meu gosto. Continuo achando que os shows da minha vida foram Mogwai no Armazém 5,  Violeta de Outono na Lona Cultural Gilberto Gil, Zumbi do mato no sebo Baratos da Ribeiro (primeiro show q ajudei a organizar) e Lobão numa lona que tinha na Barra. Esse do Lobão teve uma coisa especial, pois em dado momento o som falhou e ele improvisou Help com uma pose meio Freddie Mercury no 1º Rock In Rio e foi uma das interpretações mais sinceras e alucinantes que já vi. Assisti muitos shows excelentes de bandas como Dimitri Pelz, Boêmios, Autoramas, Morrissey, Blues Etílicos e inúmeros que a mente vai deixando pra trás. Perdi todas as idas do Echo and The Bunnymen ao Rio e não fui aos Stones em Copa. Não quis ir. Prefiro ficar com a imagem do Jagger apontando o dedo pra uma menina da platéia e cantando You can't always get a man what you want. Mas com certeza não perderia Hendrix careca, tocando com um dedo numa cadeira de rodas.
No final das contas, essa coisa de ter bom ou mau gosto é uma bobagem, basta não levar tudo tão a sério. Mas cá entre nós, ter que ouvir dentro de um ônibus lotado uma turminha de adolescentes escutar um celular barulhento tocando Funk é um pouco demais né? Ultrapassa a linha do mau gosto e não tem fone de ouvido que resolva. Melhor descer do ônibus e ir a pé. Só não sei como descer do ônibus desse século, mas ainda descubro e conto pra vocês.


5 comentários:

  1. Gato, sobre o celular barulhento tocando funk no ônibus. Vou dar uma de Paola Bracho (vilã de novelas mexicanas): um dia, não mto distante, vou comprar uma caixinha de som potente e boto no pen drive TO-DAS as músicas eruditas barulhentas q eu tiver e, se meu estado maníaco atacar no dia, toda a trilha do Psicose, do Aliens, e do Bebê de Rosemary. Funk? Ca-la-da!!!!

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  2. Coloca Wagner e a trilha de laranja mecânica rsrsrsrsr

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  3. E aí, Pietro! Além de aturar as pessoas e seus gostos comuns – talvez nós sejamos os exóticos para eles ( quem são “eles” e “nós”? ), a gente precisa ouvir pelos autofalantes nos tetos dos ônibus as músicas que não nos agradam e, como o ônibus é um serviço público, a gente acaba pagando – caro – para ouvir o que não nos agrada, acho pior isso. Mas, somos estrangeiros, passageiros de algum trem que não passa por aqui.

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  4. O gosto deve ser respeitado mesmo que faça com que a pessoa não mereça respeito por ele.

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  5. quando descobrir, avisa, haha.

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