Esqueçam a Katy Perry. A Katy do momento tem dois T e se
chama Winne, Katty Winne, Alagoana, mas também poderia ser inglesa. Sorte nossa. Talvez quando seus pais escolheram o nome já previam
que ela nascera com nome de banda. E que banda. Desde seu surgimento, ainda tímida,
em 2010, frente à banda Slowdrop, Katty tem criado canções Indie, Pop, Noise, ou
seja lá o que a cartilha dos rótulos dita .O fato é que através de um trabalho
constante de divulgação e pelo fato de ser bastante comunicativa, o blog
Floga-se divulgou e o selo Popfuzz Records gravou seu Ep, Molly Gun, um
petardo de 5 faixas, que começa certeiro em Forever e caminha suavemente até
Your Girl , faixa que encerra ensurdecedoramente brilhante esse disco que
poderia muito bem ter sido gravado em 1993 ou 94, embora atualíssimo.
O disco tem produção da banda My Midi Valentine e de Márcio
Junior, não por acaso também guitarrista da banda. Completando o time estão Iran
Félix no Baixo e Junior Pinheiro na Bateria.
Mas, na verdade, pra que resenha? Melhor mesmo é saber da própria
Katty de onde vem tantas idéias e o que vem pela frente:
O que surge primeiro na sua mente, as canções, as letras
ou vem tudo junto num improviso?
Katty: Na maioria das vezes, vem os riffs. Depende muito do
momento. Muitas vezes estou com o violão ou com a guitarra e começo a criar os
riffs e arranjos. Mas, se eu estiver com algum sentimento "gritando"
dentro de mim, começo a escrever sem parar. Nem que sejam só fragmentos de uma
nova canção.
Acho que a única canção que veio tudo de improviso foi
"Johnny".
Curioso é que seja no violão ou na guitarra, suas
canções são sempre redondas, parece que letra e música nasceram juntas. Já
aconteceu de você começar uma canção e determinado pedaço ir parar em outra
música?
K: Hum...Já aconteceu sim! Com "Forever"eu tinha feito a
letra, pra uma outra canção... Ela foi feita bem de improviso. Eu
tinha terminado de gravar "Your Girl"e o Márcio perguntou se eu tinha mais alguma pra gravar. Daí
criei ela na hora. Mas, esse refrão e tal eu já tinha pensado pra outra música. Lembrei dele na hora!
Engraçado é que Your Girl, talvez por uma certa fúria
que as outras não tem, sempre me deu a impressão de ter sido a última a ser criada e gravada. Algo como Twist and shout ou Money dos Beatles, que dizem ter praticamente acabado com a voz do Lennon no fim das gravações.
K: "Your Girl" é antiga, fiz em
2010, na época da minha antiga banda "Slowdrop"
Era uma banda mais shoegaze, correto?
K: Exato, era
meio My Bloody Valentine, Pixies, Weezer e Nirvana. Inclusive
"It's too Close" eu fiz para o Slowdrop.
Antes da banda você já tinha composições? Quando foi o pontapé
inicial, o dia que você disse pra si: vou fazer músicas!
K: Faço música desde criança! Sempre gostei de escrever, e sempre quis tocar. Quando meu
pai me deu um tecladinho, eu tinha cinco anos e ficava me imaginando em frente à multidão.
Mas, eu só vim assumir minha vida musical, em 2010, quando
eu estava na banda. Foi quando comecei a "exibir" minhas músicas.
Como eu tinha feito "It's Too Close" e eles
curtiram, eu pensei que seria legal continuar compondo e exibindo. Mas, comecei
a compor e não mais pensando na Slowdrop, aí o Mario Alencar, que era o vocal e
baixista da Slowdrop e hoje é vocal e baixista da Flowed, me deu essa ideia de
montar um projeto meu. Foi aí, que nasceu "Katty Winne" o projeto
solo de Katty Winne.(risos)
Mas teve uma transição entre a Slowdrop e a Katty Winne
(banda), correto? Tem uns vídeos que você gravou que circulam na internet...
K: Aaaah, sim. Então, eu gravei o primeiro EP, o "Super
Universe", que foi lançado pelo selo Mídia 84. Mas, depois disso eu
abandonei o projeto. Tive uma banda gospel que não deu certo. Depois fiquei só
tocando na igreja e tal. Mas, eu achei muito legal a idéia de gravar uns vídeos
com músicas minhas ou não e publicar.
Só fui retomar o projeto no final de 2011. Comecei com minha
musiquinha folk, a "Tchutchutchururu", que acabou ficando abandonada. Mas não para sempre.(risos)
Essa música, aliás, parece uma alfinetada na Mallu
Magalhães... Foi intencional?
K: Não. Nem foi. Eu nem tinha pensado nela. Eu só achei
legal fazer algo bonitinho e fofo. E me veio na cabeça esse lance de
"Tchutchutchururu". Eu nem sei o motivo.
Nessa onda de tche e tchu, incrível não ter estourado...
Seria bem mais legal ter ela tocando em rádios.
K: Tenho certeza disso!!! (Risos) Seria
muuuuuuuuuito mais legal! Não é lá em um ritmo que o povo curta!
Atualmente você está divulgando seu Ep Molly Gun, via
PopFuzz Records. Como foi esse contato?
K: Digamos que o Floga-se ajudou muito! Eu não tinha
pensado em lançar pela Popfuzz. Queria muito, mas, não achei que ia rolar.
Depois do Floga-se, a galera entrou em contato comigo e aí marcamos uma reunião
e nossa "história de amor" começou. (risos)
Eu conheci o pessoal da Popfuzz, na época da Slowdrop. Eles
estavam de olho na gente!
E acabou dando certo porque, além do cd, a banda tem feito
vários shows...
K: Siiiiiiiiim! Super certo!!! Fiquei mega feliz com a
resposta das pessoas em relação ao EP.
Fizemos alguns shows já. Tocamos por aqui em Maceió,
Arapiraca e Bahia.
Nessas viagens você tem conhecido muitas bandas. Que nomes
você destaca no cenário atual?
K: Rapaz, eu conheci muita banda sensacional. Troquei ideia com o pessoal do Camarones e me tornei mais
fã! Vi show da
Foxy Trio e da Sex On The Beach. Eu tenho que falar das bandas daqui... Caramba, quanta banda boa tem por aqui!!! Coisa fina!!! (Risos)
Tem o Flowed, Sticky Garden,
Necronomicon... Team.Radio, banda de Recife, que faz um som meio
Shoegaze/Dream pop, coisa linda de ouvir. My Midi Valentine, que tá meio sumida mas a gente tem
agora um gostinho de ouvir os meninos em seu novo projeto que é muito bom.
"Capona" é o nome do projeto. Merece muito destaque! Eles só lançaram
uma demo de uma música chamada "Dumbest Guy Alive" e é muito bom!
Saiu no Floga-se inclusive! Vou ver eles nessa sexta no Teatro Arena e já tô
ansiosa. A banda Baztian, que me surpreendeu muito! É uma galera da
Popfuzz. Eu não conhecia o trabalho deles até que esse ano eles voltaram e
tal e tão com tudo. Vão lançar algo esse ano e eu quero muito ouvir.
Banda Eek, que é daqui também e faz um som muito bom! Já vi
um show deles e achei demais.
Há pouco falamos de amor, quando você disse que tem uma
historia de amor com a PopFuzz. Esse é um tema constante em suas letras. Que
amor é esse, de onde vem? Como você o definiria no seu trabalho?
K: O meu trabalho acima de tudo é muito sincero. Tem muito
de mim nele, desde os riffs até as letras. Em nosso novo trabalho, que será lançado até o final do ano, terá músicas do guitarrista, mas como ele não costuma
escrever, as letras ainda ficam comigo. Ahh, e vai ter uma instrumental,
totalmente dele, tô adorando isso dos meninos começarem a compor!
É sempre bom manter a equipe unida!
Por fim, soube que você está com mais um projeto, dessa vez
Folk. É mais uma transição?
O que podemos esperar da Katty Winne daqui pra frente?
K: Bem, eu sempre quis um projeto folk! E resolvi montar o
Lemonoise Folkpie (nome lindo! Risos).Vai ser uma união de Winne e seus amigos cheios de noise e folk, e se rolar torta
de limão melhor ainda. (risos) Então vou me dedicar um pouco
a ele. Ainda não o suficiente, porque vamos nos trancar agora em setembro, só pra
gravar músicas novas pra banda.
Seria então Katty e seus convidados?
K: Sim, mas tá meio sem forma ainda...É melhor...Ao
menos por enquanto (risos)
Katty, obrigado pelo bate papo, parabéns pelo sucesso da banda e espero ouvir em breve novas músicas.
Muito obrigado pela oportunidade! E até o fim do ano
tem mais!!!
Para ouvir: soundcloud
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