quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Guitarras e bombons recheados de ácido: Katty Winne



Esqueçam a Katy Perry. A Katy do momento tem dois T e se chama Winne, Katty Winne, Alagoana, mas também poderia ser inglesa. Sorte nossa. Talvez quando seus pais escolheram o nome já previam que ela nascera com nome de banda. E que banda. Desde seu surgimento, ainda tímida, em 2010, frente à banda Slowdrop, Katty tem criado canções Indie, Pop, Noise, ou seja lá o que a cartilha dos rótulos dita .O fato é que através de um trabalho constante de divulgação e pelo fato de ser bastante comunicativa, o blog Floga-se divulgou e o selo Popfuzz Records gravou seu Ep, Molly Gun, um petardo de 5 faixas, que começa certeiro em Forever e caminha suavemente até Your Girl , faixa que encerra ensurdecedoramente brilhante esse disco que poderia muito bem ter sido gravado em 1993 ou 94, embora atualíssimo.
O disco tem produção da banda My Midi Valentine e de Márcio Junior, não por acaso também guitarrista da banda. Completando o time estão Iran Félix no Baixo e Junior Pinheiro na Bateria.




Mas, na verdade, pra que resenha? Melhor mesmo é saber da própria Katty de onde vem tantas idéias e o que vem pela frente:


O que surge primeiro na sua mente, as canções, as letras ou vem tudo junto num improviso?

Katty: Na maioria das vezes, vem os riffs. Depende muito do momento. Muitas vezes estou com o violão ou com a guitarra e começo a criar os riffs e arranjos. Mas, se eu estiver com algum sentimento "gritando" dentro de mim, começo a escrever sem parar. Nem que sejam só fragmentos de uma nova canção.
 Acho que a única canção que veio tudo de improviso foi "Johnny".

Curioso é que seja no violão ou na guitarra, suas canções são sempre redondas, parece que letra e música nasceram juntas. Já aconteceu de você começar uma canção e determinado pedaço ir parar em outra música?

K: Hum...Já aconteceu sim! Com "Forever"eu tinha feito a letra, pra uma outra canção... Ela foi feita bem de improviso. Eu tinha terminado de gravar "Your Girl"e o Márcio perguntou se eu tinha mais alguma pra gravar. Daí criei ela na hora. Mas, esse refrão e tal eu já tinha pensado pra outra música. Lembrei dele na hora!

Engraçado é que Your Girl, talvez por uma certa fúria que as outras não tem, sempre me deu a impressão de ter sido a última a ser criada e gravada. Algo como Twist and shout ou Money dos Beatles, que dizem ter praticamente acabado com a voz do Lennon no fim das gravações.

K: "Your Girl" é antiga, fiz em 2010, na época da minha antiga banda "Slowdrop"

Era uma banda mais shoegaze, correto?

K: Exato, era meio My Bloody Valentine, Pixies, Weezer e Nirvana. Inclusive "It's too Close" eu fiz para o Slowdrop.

Antes da banda você já tinha composições? Quando foi o pontapé inicial, o dia que você disse pra si: vou fazer músicas!

K: Faço música desde criança! Sempre gostei de escrever, e sempre quis tocar. Quando meu pai me deu um tecladinho, eu tinha cinco anos e ficava me imaginando em frente à multidão.
Mas, eu só vim assumir minha vida musical, em 2010, quando eu estava na banda. Foi quando comecei a "exibir" minhas músicas.
 Como eu tinha feito "It's Too Close" e eles curtiram, eu pensei que seria legal continuar compondo e exibindo. Mas, comecei a compor e não mais pensando na Slowdrop, aí o Mario Alencar, que era o vocal e baixista da Slowdrop e hoje é vocal e baixista da Flowed, me deu essa ideia de montar um projeto meu. Foi aí, que nasceu "Katty Winne" o projeto solo de Katty Winne.(risos)

Mas teve uma transição entre a Slowdrop e a Katty Winne (banda), correto? Tem uns vídeos que você gravou que circulam na internet...

K: Aaaah, sim. Então, eu gravei o primeiro EP, o "Super Universe", que foi lançado pelo selo Mídia 84. Mas, depois disso eu abandonei o projeto. Tive uma banda gospel que não deu certo. Depois fiquei só tocando na igreja e tal. Mas, eu achei muito legal a idéia de gravar uns vídeos com músicas minhas ou não e publicar.
Só fui retomar o projeto no final de 2011. Comecei com minha musiquinha folk, a "Tchutchutchururu", que acabou ficando abandonada. Mas não para sempre.(risos)

Essa música, aliás, parece uma alfinetada na Mallu Magalhães... Foi intencional?

K: Não. Nem foi. Eu nem tinha pensado nela. Eu só achei legal fazer algo bonitinho e fofo. E me veio na cabeça esse lance de "Tchutchutchururu". Eu nem sei o motivo.

Nessa onda de tche e tchu, incrível não ter estourado... Seria bem mais legal ter ela tocando em rádios. 
K: Tenho certeza disso!!! (Risos) Seria muuuuuuuuuito mais legal! Não é lá em um ritmo que o povo curta!

Atualmente você está divulgando seu Ep Molly Gun, via PopFuzz Records. Como foi esse contato?

K: Digamos que o Floga-se ajudou muito! Eu não tinha pensado em lançar pela Popfuzz. Queria muito, mas, não achei que ia rolar. Depois do Floga-se, a galera entrou em contato comigo e aí marcamos uma reunião e nossa "história de amor" começou. (risos)
Eu conheci o pessoal da Popfuzz, na época da Slowdrop. Eles estavam de olho na gente!

E acabou dando certo porque, além do cd, a banda tem feito vários shows...

K: Siiiiiiiiim! Super certo!!! Fiquei mega feliz com a resposta das pessoas em relação ao EP.
Fizemos alguns shows já. Tocamos por aqui em Maceió, Arapiraca e Bahia.

Nessas viagens você tem conhecido muitas bandas. Que nomes você destaca no cenário atual?

K: Rapaz, eu conheci muita banda sensacional. Troquei ideia com o pessoal do Camarones e me tornei mais fã! Vi show da Foxy Trio e da Sex On The Beach. Eu tenho que falar das bandas daqui... Caramba, quanta banda boa tem por aqui!!! Coisa fina!!! (Risos)
Tem o Flowed, Sticky Garden, Necronomicon... Team.Radio, banda de Recife, que faz um som meio Shoegaze/Dream pop, coisa linda de ouvir. My Midi Valentine, que tá meio sumida mas a gente tem agora um gostinho de ouvir os meninos em seu novo projeto que é muito bom. "Capona" é o nome do projeto. Merece muito destaque! Eles só lançaram uma demo de uma música chamada "Dumbest Guy Alive" e é muito bom! Saiu no Floga-se inclusive! Vou ver eles nessa sexta no Teatro Arena e já tô ansiosa. A banda Baztian, que me surpreendeu muito! É uma galera da Popfuzz. Eu não conhecia o trabalho deles até que esse ano eles voltaram e tal e tão com tudo. Vão lançar algo esse ano e eu quero muito ouvir.
Banda Eek, que é daqui também e faz um som muito bom! Já vi um show deles e achei demais.

Há pouco falamos de amor, quando você disse que tem uma historia de amor com a PopFuzz. Esse é um tema constante em suas letras. Que amor é esse, de onde vem? Como você o definiria no seu trabalho?

K: O meu trabalho acima de tudo é muito sincero. Tem muito de mim nele, desde os riffs até as letras. Em nosso novo trabalho, que será lançado até o final do ano, terá músicas do guitarrista, mas como ele não costuma escrever, as letras ainda ficam comigo. Ahh, e vai ter uma instrumental, totalmente dele, tô adorando isso dos meninos começarem a compor!

É sempre bom manter a equipe unida!
Por fim, soube que você está com mais um projeto, dessa vez Folk. É mais uma transição?
O que podemos esperar da Katty Winne daqui pra frente?

K: Bem, eu sempre quis um projeto folk! E resolvi montar o Lemonoise Folkpie (nome lindo! Risos).Vai ser uma união de Winne e seus amigos cheios de noise e folk, e se rolar torta de limão melhor ainda. (risos)  Então vou me dedicar um pouco a ele. Ainda não o suficiente, porque vamos nos trancar agora em setembro, só pra gravar músicas novas pra banda.

Seria então Katty e seus convidados?

K: Sim, mas tá meio sem forma ainda...É melhor...Ao menos por enquanto (risos)
 
Katty, obrigado pelo bate papo, parabéns pelo sucesso da banda e espero ouvir em breve novas músicas. 
  
Muito obrigado pela oportunidade! E até o fim do ano tem mais!!!

Para ouvir: soundcloud 
Para baixar: Download
Para comprar: popfuzz coletivo


                                                                      Banda em ação









 

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