terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sonhos não envelhecem


Segunda Feira, fim de tarde, eu com um copo de guaraná na mão, um amigo com um copo de tequila, cigarro entre os dedos, chapéu Panamá. De repente ele brada: “Vou pra uma ilha, ninguém vai me achar mais, aqui não tem nada, deixo tudo pra você. Acabaram-se as amizades, você é um dos poucos que tenho, o sonho acabou...” Daí em seguida tomou outro gole e chorando disse: “Pra mim, um dos momentos mais tristes da biografia do Paul McCartney foi quando o Lennon bateu na porta do Paul e ele não abriu. Ali ele viu que a amizade havia acabado...”.
Fui pra casa com um grilo na cuca, pensando nos amigos que ficaram pra trás e nos que me ignoraram. Tive um amigo que conheci quando este era adolescente, aspirante a poeta, achava seu conhecimento cinematográfico impressionante, sabia de música como poucos. Apoiei o que pude, divulguei pra vários amigos suas idéias, apresentei pessoas que julguei serem importantes para seu futuro promissor. Um dia mandei Email não respondeu. Tentei mais algumas vezes e nada. Reli as últimas mensagens que trocamos e nada demonstrava que um dia ele me presentearia com seu desprezo. Soube por amigos que lançou alguns livros e volta e meia está em evidência. Parabéns pra ele, a poesia fica e amizade acaba, talvez a única sinceridade esteja no silêncio.
Muitos amigos sonho em rever, amizade sempre foi sagrada pra mim, ainda que nem sempre eu esteja com tempo de visitá-los. Já briguei muito pelos meus amigos, alguns mereceram e outros não. Mas mesmo para os que não mereceram deixo os braços abertos.
E pra esse amigo que quer ir pra uma ilha, deixo o recado que se algum dia bater na minha porta, não deixarei de abri-la, o sonho não acaba tão fácil pra mim.

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