Segunda Feira, fim de tarde, eu com um copo de guaraná na mão,
um amigo com um copo de tequila, cigarro entre os dedos, chapéu Panamá. De
repente ele brada: “Vou pra uma ilha, ninguém vai me achar mais, aqui não tem
nada, deixo tudo pra você. Acabaram-se as amizades, você é um dos poucos que
tenho, o sonho acabou...” Daí em seguida tomou outro gole e chorando disse: “Pra
mim, um dos momentos mais tristes da biografia do Paul McCartney foi quando o
Lennon bateu na porta do Paul e ele não abriu. Ali ele viu que a amizade havia acabado...”.
Fui pra casa com um grilo na cuca, pensando nos amigos que
ficaram pra trás e nos que me ignoraram. Tive um amigo que conheci quando este
era adolescente, aspirante a poeta, achava seu conhecimento cinematográfico
impressionante, sabia de música como poucos. Apoiei o que pude, divulguei pra vários
amigos suas idéias, apresentei pessoas que julguei serem importantes para seu
futuro promissor. Um dia mandei Email não respondeu. Tentei mais algumas vezes
e nada. Reli as últimas mensagens que trocamos e nada demonstrava que um dia
ele me presentearia com seu desprezo. Soube por amigos que lançou alguns livros
e volta e meia está em evidência. Parabéns pra ele, a poesia fica e amizade
acaba, talvez a única sinceridade esteja no silêncio.
Muitos amigos sonho em rever, amizade sempre foi sagrada pra
mim, ainda que nem sempre eu esteja com tempo de visitá-los. Já briguei muito
pelos meus amigos, alguns mereceram e outros não. Mas mesmo para os que não
mereceram deixo os braços abertos.
E pra esse amigo que quer ir pra uma ilha, deixo o recado
que se algum dia bater na minha porta, não deixarei de abri-la, o sonho não
acaba tão fácil pra mim.
Snif, (tô zuando,rs).
ResponderExcluirSnif snif...rs
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